terça-feira, 29 de setembro de 2009



Ah, e dizer que isto vai acabar, que por si mesmo não pode durar. Não, ela não está se referindo ao fogo, refere-se ao que sente. O que sente nunca dura, o que sente sempre acaba, e pode nunca mais voltar. Encarniça-se então sobre o momento, come-lhe o fogo, e o fogo doce arde, arde, flameja. Então, ela que sabe que tudo vai acabar, pega a mão livre do homem, e ao prendê-la nas suas, ela doce arde, arde, flameja.

in "Onde estivestes de noite" - 7ª Ed. - Ed. Francisco Alves - Rio de Janeiro – 1994

Clarice Lispector

2 comentários:

Aline disse...

Passando só pra deixar um oi pra você... e pra dizer que a foto desse post é muito boa, eo trecho também é ótimo. :D
Beeijos querida.

Clarinhaaa disse...

è Karlla...
nem todo fogo é tão quente que possa parecer queimar!!

aiai..
tem texto novo no meu blog, acho que vai gostar... tanto o mais atual quanto o anterior!!
beijinhosss